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«Liberdade para uns, isolamento para outros»

GONÇALO PELITEIRO DE OLIVEIRA


Membro da JP Famalicão


No passado dia 18 de abril, Portugal renovou o estado de emergência, passando este a ser o 3° período do mesmo. Esta renovação pouco ou quase nada nos traz de novo, face à última quinzena, continuando a ser necessário um esforço coletivo de isolamento para ultrapassar esta pandemia.

 

Este esforço coletivo faz com que tenhamos de abdicar de bastantes hábitos do quotidiano e costumes, em prol do bem comum. Muitos foram privados de festejar os seus aniversários, aniversários de familiares e amigos, bem como outras datas importantes. Muitos outros não se conseguiram despedir dos seus pais, avós, familiares ou amigos no momento da sua morte e muitos crentes viveram as suas celebrações religiosas como nunca antes o tinham feito. Para além disto, contamos ainda com aqueles que perderam os seus trabalhos e com aqueles que encerraram os seus negócios.

 

Estamos a chegar a um dia que é inegavelmente um dos mais marcantes da história de Portugal, o 25 de abril. A data que marcou o fim da ditadura e o início de uma nova era, da liberdade. Um dia de grande importância, certamente para todos os portugueses, mas que apenas alguns terão a oportunidade de celebrar. Liberdade para uns, isolamento para outros.

 

Depois de tantos sacrifícios neste tempo de quarentena, vamos observar o festejo deste dia numa cerimónia que irá juntar centenas de pessoas no interior da AR. Como é possível um governo pedir a uma nação inteira para se resguardar e ficar em casa, quando este promove um festejo que tem previsto a reunião de 130 pessoas num espaço fechado, pertencendo algumas delas aos grupos considerados de risco? Quem tem a legitimidade de poder decidir quem pode ou não festejar este dia fora de casa? Por que não celebrar o 25 de abril de uma forma diferente? O exemplo deveria vir de quem governa, mas estes mostram o contrário.

 

Num tempo também ele de descrédito político, relembrando a elevadíssima taxa de abstenção de 45.5% nas últimas legislativas, vamos estender ainda mais a linha que separa os políticos dos cidadãos, promovendo direitos diferentes para uns e para outros e alimentando a existência de dois pesos e duas medidas?

 

Pela primeira vez em 46 anos de democracia um partido político fundador da democracia não terá o seu presidente presente nas comemorações do 25 de abril. Sim, Francisco Rodrigues dos Santos, presidente do CDS-PP, não estará presente nesta celebração, onde o partido será representado apenas por um elemento do seu grupo parlamentar. Curiosamente será o mais novo a dar o exemplo.

 

Os políticos são pessoas e é necessário que existam mais políticos que coloquem o bem comum acima dos seus próprios interesses, que sirvam a sociedade em vez de se servirem a si mesmos. Termino com uma palavra de agradecimento ao Francisco Rodrigues dos Santos pelo exemplo que deu, dando-lhe a confiança que ele merece, que é a confiança que o país precisa.

 

Gonçalo Peliteiro de Oliveira




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